O cenário da produção de açaí no Brasil está mudando. Estados fora da Amazônia, como São Paulo e Ceará, estão investindo no cultivo tecnificado da fruta, o que pode representar um desafio competitivo para o açaí do Acre, tradicionalmente de extrativismo.
No interior de São Paulo, a região de São José de Rio Preto iniciou o plantio, com 13 propriedades ensaiando interesse. Até fevereiro de 2026, a área cultivada no estado totalizava 80 hectares.
- Vantagem Paulista: O produtor paulista, geralmente capitalizado, já possui a infraestrutura (instalações e equipamentos) necessária para adequar-se à cadeia do açaí com pequenos ajustes.
- Tecnologia: A produtividade é estimada em 10 a 15 toneladas por hectare, utilizando a cultivar BRS Pai d’Égua, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental para adaptação a diferentes ecossistemas. O cultivo inclui o uso de abelhas para polinização.
O Ceará é outro exemplo, tendo produzido 609 toneladas em 2024, figurando como o nono maior produtor do país. Lá, a produção é de cultivo intensivo com irrigação, com colheitas que podem ocorrer a cada 25 dias em algumas áreas, um modelo que exige capacidade de investimento, algo que o texto aponta ser raro no Acre.
Visões Sobre a Competitividade
🗣️ O Apelo da Amazônia (Perpétua Almeida)
A diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida, reconhece o movimento de expansão, mas aposta na força da origem amazônica.
“Com toda franqueza, o açaí da Amazônia não vai perder sua majestade. Ele é fruto direto das mãos do produtor rural, da agricultura familiar, que vive e preserva a floresta.”
Ela argumenta que existe um público consumidor no Brasil e no mundo que busca produtos da Amazônia com identidade e origem. Para ela, a prioridade para o Acre é:
- Industrializar a produção (com apoio da ABDI).
- Garantir escoamento e logística que valorizem o trabalho dos produtores.
- Protagonismo do governo estadual e prefeituras.
🗣️ O Alerta do Cultivo (José Carlos Reis)
O ex-secretário de Estado de Agropecuária, José Carlos Reis, é mais cético quanto ao atual desempenho do Acre e defende que os governos invistam no açaí de cultivo.
Reis avalia que o açaí nativo, devido ao desmatamento, está cada vez mais distante das unidades de beneficiamento, o que inviabiliza a cadeia com a infraestrutura logística atual.
Em seu alerta, Reis, que é produtor de açaí cultivado, sentencia:
“A gente está cochilando, falando de açaí do extrativismo, enquanto o pessoal por aí está plantando. Esse é o alerta que tenho feito. A demanda mundial por açaí é enorme. A bola da vez para o Acre é o açaí.”













