Professor da Ufac se manifesta após acusações e nega declarações homofóbicas
O professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Mauro Cesar Rocha da Silva, acusado por docentes de proferir declarações consideradas homofóbicas, enviou nota ao portal Amazônia Agora na qual afirma que suas falas foram baseadas em dados científicos e que houve “interpretações pseudocientíficas” por parte de um grupo de professores.
O posicionamento ocorre após assembleia docente extraordinária realizada na última segunda-feira (23), no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), quando foram relatadas declarações atribuídas ao professor associando homossexualidade à disseminação da Aids e a abusos na infância. O caso foi encaminhado à polícia, e ele foi conduzido à Delegacia Central de Flagrantes, em Rio Branco.
📚 Defesa baseada em estudos acadêmicos
Na nota, Mauro Cesar afirma que, em duas situações de aula na Ufac — uma delas em 2023, na disciplina de métodos e técnicas de pesquisa em ciências sociais — mencionou dados de pesquisas ao tratar das formas de sexualidade contemporâneas.
Segundo ele, ao abordar o tema, citou que “existe um pequeno grupo, em situação muito específica, em que estas pessoas não tiveram opção de escolhas porque haviam sido sistematicamente violentadas”, referindo-se, conforme descreve, a estudos sobre violência contra crianças e adolescentes.
O docente sustenta que não se referiu a pessoas específicas, mas a informações de natureza “pública-científica-acadêmica”, com base em artigos e pesquisas publicados. Ele também listou trabalhos acadêmicos sobre abuso sexual e suas consequências psicológicas, incluindo estudos apresentados em congresso e publicados em revistas científicas.
🕰️ Referência a episódio de 2017
Na manifestação, o professor mencionou ainda um episódio ocorrido em 2017, no curso de Jornalismo, quando teria feito referência a pesquisas que apontavam associação entre os primeiros registros da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), nos anos 1980, e práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo masculino, conforme estudos da época.
Segundo ele, as declarações diziam respeito ao fenômeno histórico e aos dados científicos disponíveis naquele contexto, e não a indivíduos específicos.
“Eu estava me referindo ao fenômeno, ao acontecimento, ao evento, e a forma como este fenômeno se manifestou (…). Não estava me referindo a nenhuma pessoa em particular, mas ao evento ou fato social”, afirmou.
⚖️ Críticas e processos administrativos
Mauro Cesar também criticou colegas e a Associação dos Docentes da Ufac (Adufac), que tornou pública nota de solidariedade a professores que afirmam ter sido ofendidos. A entidade classificou as falas atribuídas ao docente como “inaceitáveis e criminosos ataques homofóbicos, misóginos e capacitistas” e solicitou à direção do CFCH e à reitoria medidas urgentes, incluindo o afastamento imediato do professor, assegurando-lhe o direito à ampla defesa e ao contraditório.
O professor afirma que, se houve alguma intencionalidade em suas falas, teria sido no sentido de defesa contra práticas de violência na infância e contra a pedofilia.
O portal apurou que ele responde a Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pela Ufac para apurar as condutas atribuídas. Durante a tramitação do primeiro procedimento, o docente foi afastado por 60 dias para tratar de questões médicas e regularizar sua situação funcional. Há previsão de instauração de novo processo administrativo, com ampliação das avaliações periciais.
Até o momento, a Universidade Federal do Acre não divulgou posicionamento oficial sobre eventual conclusão dos procedimentos.
O Amazônia Agora segue acompanhando o caso.












