Quaest: 83% dos brasileiros consideram que sociedade precisa dar mais atenção aos animais silvestres

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Pesquisa Quaest aponta que 83% dos brasileiros consideram que a sociedade precisa dar mais atenção à proteção dos animais silvestres.

Apenas 12% afirmam que esses animais estão recebendo o cuidado necessário no Brasil.

A pesquisa também mostra que 92% dos brasileiros consideram “muito importante” (83%) ou “importante” (9%) preservar os animais silvestres, e 68% afirmam que o tema deve estar entre as prioridades do país.

Veja os números:

Pergunta: Das frases a seguir, com qual delas você mais concorda?

  • A sociedade precisa dar mais atenção à proteção dos animais silvestres: 83%;
  • Os animais silvestres estão recebendo o cuidado necessário no Brasil: 12%;
  • Não sabe/não respondeu: 5%.

 

Pergunta: O quanto é importante para você preservar os animais silvestres no Brasil?

  • Muito importante: 83%;
  • Importante: 9%;
  • Pouco importante: 3%;
  • Nada importante: 4%;
  • Não sabe/não respondeu: 1%.

 

Pergunta: Considerando a situação atual do Brasil, preservar o meio ambiente e os animais silvestres:

  • Deve estar entre as prioridades do país: 68%;
  • É importante, mas há outros temas mais prioritários: 26%;
  • Não é um tema importante neste momento: 3%;
  • Não sabe/não respondeu: 3%.

 

A pesquisa do Instituto Vida Livre, realizada pela Quaest, ouviu 2.000 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 3 e 16 de julho de 2025.

A coleta foi feita de forma online, por meio de questionários estruturados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%.

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Responsabilidade compartilhada

 

Para 72% dos brasileiros, cuidar dos animais silvestres é uma responsabilidade dividida entre o governo e a sociedade.

Outros 14% acreditam que a responsabilidade deve recair mais sobre o governo, e 12% afirmam que cabe mais à sociedade.

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A percepção de que o cuidado é dever de todos é mais forte entre quem tem ensino médio ou superior: 80% dos entrevistados nessas faixas apontam responsabilidade compartilhada, ante 58% entre os que estudaram até o ensino fundamental.

Já a autorresponsabilização da sociedade é maior entre quem tem menor escolaridade: 22% dos entrevistados com ensino fundamental afirmam que o cuidado é mais da sociedade, contra 7% no ensino médio e 6% no ensino superior.

Veja os números:

Pergunta: Na sua opinião, de quem é a responsabilidade de cuidar dos animais silvestres no Brasil?

  • Do governo e da sociedade: 72%;
  • É mais do governo: 14%;
  • É mais da sociedade: 12%;
  • Não sabe/não respondeu: 2%.

 

Caça, contrabando e penas mais duras

 

A demanda por mais atenção aos animais silvestres aparece também na avaliação de práticas que colocam a fauna em risco. Segundo a pesquisa:

  • 84% concordam que o contrabando de animais silvestres é um problema sério no Brasil;
  • 83% defendem que a pena para quem caça animais silvestres deveria ser mais rigorosa;
  • 72% discordam que o Brasil deveria liberar a caça de animais silvestres para a população;
  • 67% discordam que seja aceitável o uso de animais silvestres em espetáculos de circo;
  • 58% discordam que empresas devam testar produtos em animais antes de testar em humanos.

 

Em relação à extinção, 86% dos entrevistados concordam que evitar a extinção dos animais silvestres é essencial para manter o equilíbrio da natureza.

Apenas 14% concordam com a frase de que, mesmo com a perda de espécies, a natureza se adapta sozinha.

“Eu acredito muito que a gente tem um privilégio aqui no Brasil de ter a maior biodiversidade do mundo — e, junto com isso, o desafio e a responsabilidade de cuidar bem dela”, afirma Roched Seba, fundador e diretor do Instituto Vida Livre.

 

“A ideia dessa pesquisa foi exatamente essa: fazer perguntas e conhecer melhor a percepção do nosso povo em relação à causa dos animais silvestres e às questões associadas”.

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Desde 2003, o mico-leão-dourado é classificado como espécie ameaçada de extinção. — Foto: Breno Tardin

Acidentes urbanos

 

Quando perguntados sobre quem deveria ser responsável pelo resgate e pelos custos em caso de acidente com animal silvestre em área urbana, os entrevistados se dividem:

  • 35% afirmam que a responsabilidade deve ser de quem causou o acidente,
  • 34% apontam a prefeitura ou o governo e 26% citam as ONGs.
  • Outros 5% não souberam ou não responderam.

 

A divisão acompanha a percepção de quem afirma encontrar animais silvestres com frequência em áreas urbanas:

  • 60% dizem ver esses animais em ruas, parques e quintais frequentemente ou muito frequentemente,
  • enquanto 37% afirmam que isso é raro ou que nunca presenciaram a situação.

 

Confiança e engajamento

 

Em uma escala de 0 a 10, a pesquisa mostrou ainda que as ONGs receberam a maior nota média de confiança entre as instituições avaliadas: 5,9.

As empresas privadas obtiveram média de 5,4, e o governo, 4,1.

Apesar de 93% dos brasileiros concordarem que pequenas atitudes individuais podem fazer a diferença para os animais silvestres, a doação para associações locais ainda é menos comum que outras formas de engajamento. Nos últimos dois anos:

  • 51% doaram dinheiro para alguma igreja;
  • 46% participaram de alguma mobilização online;
  • 38% doaram dinheiro para alguma associação local.

 

Entre quem apoia organizações sem fins lucrativos, o principal motivo é a percepção de responsabilidade social em ajudar o próximo (34%), seguido pela busca por bem-estar pessoal (18%) e pela percepção de que o governo não ajuda como deveria (17%).

“A pesquisa mostra que 75% dos lares brasileiros possuem animais domésticos, 92% consideram importante ou muito importante preservar a fauna silvestre, 59% da população já consome conteúdos sobre animais com frequência e 93% acreditam que pequenas atitudes individuais fazem a diferença”, acrescenta Marina Siqueira, cientista política e diretora de Sustentabilidade e Riscos da Quaest.

“Nosso desafio agora é transformar esse afeto e interesse digital em mobilização real, oferecendo canais claros para que o cidadão se sinta corresponsável pelo futuro das nossas espécies”.

 

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