Na véspera de completar um mês da saída da relatoria da investigação do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tenta se distanciar do caso. Na quarta-feira (11/3), ele declarou suspeição para analisar duas situações ligadas ao Master. A medida também vai valer para casos futuros envolvendo a instituição financeira.
Primeiro, à tarde, Toffoli manifestou impedimento após ser sorteado relator de um mandado de segurança que pede a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. O colegiado teria o objetivo de investigar a relação do Master com o Banco de Brasília (BRB). Cristiano Zanin foi o novo sorteado para a missão.
Depois, no início da noite, Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o referendo da prisão do dono do Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça. A análise vai à Segunda Turma, da qual Toffoli é membro, em plenário virtual a partir de sexta-feira (13/3). A votação fica aberta até 20/3.
Temperatura subiu
Sob pressão externa e interna, Toffoli saiu da relatoria do Master em 12 de fevereiro. Desde então, o caso ganhou outra dimensão com desdobramentos que culminaram na segunda prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e menções a nomes de integrantes da Corte.
A crise chegou ao ápice após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, levar pessoalmente ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório da perícia do celular de Vorcaro com menções ao então relator.
O último ato de Toffoli antes de deixar a relatoria foi determinar que a corporação enviasse a ele os dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação sobre a instituição financeira.
Por outro lado, a primeira ação de Mendonça à frente do caso foi ampliar o acesso da Polícia Federal às provas colhidas pela corporação. Ele determinou a retomada do “fluxo ordinário” de ações de perícia e depoimentos nas apurações e reduziu o grau de sigilo imposto no caso.
Na prática, a decisão reverteu as ordens do antigo relator, que havia escolhido a Procuradoria-Geral da República (PGR) como a guardiã do material. O magistrado também realizou reuniões com a PF para cobrar rapidez e finalizar as investigações da suposta fraude envolvendo o Master.













