Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, trouxe novos avanços nas pesquisas sobre envelhecimento e longevidade. Cientistas conseguiram aumentar a expectativa de vida de camundongos após inserir nos animais um gene presente no rato-toupeira-pelado, espécie conhecida pela resistência a doenças e pela vida extremamente longa.
A pesquisa, publicada na revista científica Nature em 2023, chamou atenção por demonstrar que características relacionadas à longevidade podem ser transferidas entre mamíferos.
O rato-toupeira-pelado desperta interesse da comunidade científica há décadas. Apesar da aparência incomum, o animal possui características consideradas raras entre roedores, podendo viver por mais de 40 anos — muito acima da média de espécies do mesmo porte.
Além da longa vida, o animal apresenta resistência a doenças ligadas ao envelhecimento, como câncer, problemas cardiovasculares e até algumas condições neurodegenerativas.
Durante o experimento, os pesquisadores introduziram em camundongos um gene responsável pela produção de uma substância chamada ácido hialurônico de alto peso molecular, encontrada em grande quantidade no organismo do rato-toupeira-pelado.
Após a modificação genética, os camundongos passaram a produzir níveis mais elevados dessa substância em diversos tecidos do corpo.
Os cientistas observaram que os animais modificados viveram, em média, cerca de 4,4% mais do que os camundongos comuns. Mais do que o aumento na expectativa de vida, os pesquisadores destacaram melhorias significativas na saúde dos animais.
Segundo o estudo, os camundongos apresentaram menor incidência de tumores, redução de inflamações e melhor funcionamento intestinal durante o envelhecimento.
A pesquisadora Vera Gorbunova, uma das responsáveis pelo estudo, afirmou que a descoberta representa uma importante “prova de conceito” de que mecanismos biológicos ligados à longevidade podem ser compartilhados entre espécies diferentes.
Os cientistas explicam que o ácido hialurônico parece atuar como uma espécie de proteção natural do organismo, ajudando a reduzir danos celulares, inflamações crônicas e o desenvolvimento de doenças associadas ao avanço da idade.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a retirada dessa substância das células do rato-toupeira-pelado aumentava significativamente o risco de formação de tumores, reforçando a hipótese de que ela possui papel essencial na proteção do organismo.
Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que ainda existe um longo caminho até que descobertas como essa possam ser aplicadas em seres humanos.
Agora, os pesquisadores tentam entender como estimular a produção da substância ou diminuir sua degradação no corpo de maneira segura. Estudos com moléculas capazes de interferir nesse processo já estão em andamento.
Os cientistas também destacam que a longevidade do rato-toupeira-pelado provavelmente não depende de apenas um único fator, mas de vários mecanismos biológicos trabalhando em conjunto, incluindo reparo mais eficiente do DNA e controle de inflamações.
Para os especialistas, a pesquisa reforça que o envelhecimento é um processo extremamente complexo — e que compreender seus mecanismos pode abrir caminhos importantes para o futuro da medicina e da qualidade de vida.













