O transporte coletivo de Rio Branco segue enfrentando dificuldades desde 2020, e usuários do sistema relatam ônibus lotados, demora nas viagens e veículos com falhas mecânicas.
Em entrevista à Rede Amazônica, o empresário Ewerson Dias, proprietário da Ricco Transportes e Turismo, afirmou que a companhia acumula prejuízo superior a R$ 8 milhões operando o sistema na capital acreana.
Segundo ele, os números devem aparecer na declaração de imposto de renda da empresa.
“Se pegar o que recebemos e o que gastamos, em 2024 foram cerca de R$ 7 milhões de prejuízo. Em 2025 fechamos em pouco mais de R$ 8 milhões”, afirmou.
A situação é acompanhada pelo Amazônia Agora, já que o sistema de transporte da capital funciona há anos por meio de contratos emergenciais.
📄 Novo edital para transporte coletivo
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, deve anunciar nesta segunda-feira (9) o lançamento do Edital de Concorrência Pública nº 005/2026, que prevê a concessão e operação do transporte coletivo da cidade.
A expectativa é que a nova licitação defina quais empresas irão operar o sistema de ônibus nos próximos anos.
A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito ainda não comentou oficialmente sobre o novo edital.
🚌 Operação emergencial há quatro anos
A Ricco opera o transporte coletivo da capital desde fevereiro de 2022, após a saída da Auto Viação Floresta, que abandonou diversas rotas da cidade.
Atualmente, segundo o empresário, a empresa:
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Opera cerca de 50 linhas
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Possui aproximadamente 100 ônibus
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Assumiu inicialmente 31 das 42 linhas existentes
Apesar disso, algumas rotas têm baixa demanda de passageiros, o que compromete a viabilidade financeira.
“Tem linha que transporta cerca de 1,8 mil passageiros por mês, então não paga o serviço prestado”, explicou Ewerson Dias.
Outro fator apontado é o alto número de gratuidade e meia-passagem. Segundo ele, quase metade dos passageiros utiliza algum tipo de benefício.
Hoje a tarifa do transporte coletivo em Rio Branco é de R$ 3,50, enquanto estudantes pagam cerca de R$ 1.
💰 Subsídio da prefeitura
Para manter o sistema funcionando sem aumento da tarifa, a prefeitura paga um subsídio por passageiro transportado.
Atualmente, o município repassa R$ 3,63 por usuário, valor que ajuda a manter a passagem em R$ 3,50 para a população.
O empresário também afirmou que novos investimentos dependem da definição da licitação.
“Hoje temos mais de R$ 40 milhões investidos. Ninguém vai comprar 100 ônibus novos, algo em torno de R$ 95 milhões, sem saber se vai continuar operando”, disse.
😓 Usuários reclamam de demora e ônibus quebrados
Moradores que dependem do transporte coletivo relatam dificuldades diárias.
A assistente escolar Eremita Gadelha afirma que os problemas são frequentes.
“É péssimo. Os ônibus são quebrados e demoram muito. Já aconteceu de parar no meio do caminho e a gente ter que pegar aplicativo ou esperar outro.”
O autônomo Cleildon Henrique também relatou piora recente no serviço.
“Sempre teve problema, mas ultimamente em Rio Branco está bem mais difícil.”
Em áreas mais afastadas, como a região da Transacreana, o tempo de espera pode chegar a 40 ou 45 minutos, segundo o carpinteiro Francisco Nascimento.
Já o aposentado Francisco de Sousa, morador do bairro Jequitibá, afirma que a espera chega a 50 minutos, pois apenas um ônibus atende a região.











