
Nova rodada de negociações sobre a guerra entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou neste sábado (25) o envio de seus negociadores ao Paquistão para a segunda rodada de negociações pelo fim da guerra no Oriente Médio.
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“Eu acabei de cancelar a viagem de meus representante a Islamabad para se encontrar com os iranianos. Muito tempo perdido em viagem, e (temos) muito trabalho!”, escreveu o presidente dos EUA em sua rede social Truth Social. “Além disso, há uma briga interna e confusão tremendas na ‘liderança’ do Irã. Ninguém sabe quem está no comando, inclusive eles mesmos. Também, nós temos todas as cartas na mesa, eles não têm nenhuma! Se eles quiserem conversar, têm de telefonar!”.
➡️ A Casa Branca disse na sexta que os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner embarcariam nesta manhã para Islamabad e se reuniriam com o chanceler iraniano, Abbas Aragchi, que de fato foi à capital paquistanesa.
A decisão de Trump de cancelar a viagem veio depois de o chanceler do Irã dizer que não se reuniria com os norte-americanos e que trataria apenas com os mediadores das tratativas, do governo do Paquistão.
Nesta manhã, Aragchi entregou as exigências de seu país para um acordo de fim da guerra no Oriente Médio e deixou as negociações sem travar diálogo com os EUA, segundo as agências de notícias Associated Press e Reuters com base em fontes do governo paquistanês.
Mais tarde, o chanceler iraniano disse que a visita foi “frutífera” e questionou a diplomacia norte-americana, após o cancelamento da viagem dos enviados de Trump.
“Ainda temos de ver se os EUA são sérios em relação à sua diplomacia”, escreveu Aragchi.
A guinada dos EUA também ocorre um dia depois de o próprio Trump dizer que tinha confiança de que a proposta do Irã atenderia às exigências dos EUA para o fim da guerra. “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, disse ele na sexta. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também falou de “avanços” e “progressos”.
O cancelamento da viagem da comitiva norte-americana também deixa as relações dos dois países em um clima mais hostil que durante na primeira rodada de negociações, há três semanas, quando representantes das duas partes ficaram de fato frente a frente.
A última rodada de negociações deveria ter sido retomada na terça-feira (21), mas não ocorreu. O Irã disse que não estava pronto, e a delegação americana não deixou Washington. No mesmo dia, Trump prorrogou o cessar-fogo entre os dois países para permitir a retomada das conversas.
O governo iraniano ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre as trativas deste sábado em Islamabad até a última atualização desta reportagem.
Situação em Ormuz
Mural anti-EUA é visto em Teerã, capital do Irã, em 11 de abril de 2026. Guerra no Oriente Médio está na sexta semana.
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
O tráfego marítimo segue paralisado no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A região está sob um duplo bloqueio, de Irã e Estados Unidos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse na sexta-feira que a reabertura de Ormuz é “vital para o mundo”. Enquanto isso, o mercado de petróleo fechou em alta, com otimismo sobre a retomada das conversas de paz.
Trump afirmou que tem “todo o tempo do mundo” para negociar a paz com o Irã, enquanto mantém a pressão militar. Um terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, opera perto da região.
No Líbano, o cessar-fogo está sob pressão. Trump anunciou na quinta-feira (23) uma prorrogação de três semanas na trégua, após conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington.
“Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”, disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou que a prorrogação não faz “sentido”, diante dos “atos de hostilidade” de Israel. O grupo extremista também pediu que o governo libanês se retire das negociações diretas com Israel.
*Com Reuters e AFP.
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