Em meio ao desejo de viver um relacionamento, fatores econômicos vêm ganhando cada vez mais peso na forma como solteiros se relacionam e conduzem a vida amorosa. Um levantamento do happn, aplicativo de encontros baseado em geolocalização, indica que o dinheiro deixou de ser um tema periférico para se tornar parte central das decisões afetivas, desde aceitar um encontro até pensar em dividir uma casa.
No Brasil, esse impacto já aparece de forma concreta: 48% dos solteiros afirmam ter desistido de um encontro por questões financeiras. Ainda assim, o tema segue cercado de reservas. Segundo o Trendbook 2026 do happn, 44% dos usuários brasileiros acreditam que amor e finanças não devem se misturar, enquanto 61% defendem que o homem deve pagar a conta nos encontros, associando a prática a um gesto de cavalheirismo.
As diferenças geracionais também ajudam a desenhar esse novo cenário. Entre os mais jovens, a estabilidade financeira aparece como pré-requisito para relações mais sérias: 34% da Geração Z dizem priorizar a vida econômica antes de se envolver em um compromisso. Já entre os maiores de 35 anos, o foco muda, 89% afirmam buscar principalmente a compatibilidade afetiva, enquanto apenas 7% colocam a estabilidade financeira como prioridade, refletindo um momento de maior consolidação profissional.
O impacto das finanças na vida amorosa não se restringe ao Brasil. Um estudo realizado pelo happn na França aponta que pressões econômicas também influenciam decisões de moradia e cronogramas de relacionamento. Para 29% dos entrevistados franceses, a habitação é uma das principais despesas afetadas pela vida de solteiro, o que leva 54% deles a considerar morar com o parceiro mais cedo como estratégia para reduzir custos.
Apesar das pressões, o romantismo ainda resiste. No Brasil, 64% dos solteiros afirmam enxergar o amor como um pilar importante da vida, acreditando que ele impacta positivamente tanto o bem-estar pessoal quanto o desempenho profissional.
Para Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente da plataforma, o cenário revela uma mudança de comportamento em curso.
“Mais do que nunca, estamos vendo o dinheiro desempenhar um papel importante nos relacionamentos. No Brasil, há também uma tensão na qual quase metade dos solteiros desiste de sair em encontros devido à pressão financeira, mas quase o mesmo número acredita que dinheiro e amor não devem se misturar. Ser honesto sobre a realidade financeira desde o início não deve ser visto como um tabu; é, na verdade, a nova base para construir uma conexão genuína”, diz.














