Tecnologia com sementes sintéticas pode reduzir uso de insumos e fertilizantes na cana, diz pesquisadora

publicidade

A dependência de fertilizantes importados segue como uma das principais preocupações dos produtores de cana-de-açúcar no Brasil. Em momentos de instabilidade geopolítica, há impacto direto nos custos de produção. Uma nova tecnologia de sementes sintéticas apresentada pelo Centro de Tecnologia Canavieira pode contribuir diretamente para a redução do uso de insumos agrícolas, incluindo fertilizantes, em um momento em que o setor enfrenta incertezas globais relacionadas ao custo desses produtos.

Segundo a pesquisadora do CTC, Sabrina Chabegras, a inovação incorpora características que tornam o sistema produtivo mais eficiente e menos dependente de aplicações externas.

“Essa tecnologia carrega parte dos insumos dentro dela. Então você não precisa aplicar em larga escala no campo”, explicou.
O tema ganha relevância diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam diretamente o mercado de fertilizantes e elevam os custos de produção agrícola.

Menos insumos e maior eficiência no campo

De acordo com a pesquisadora, a combinação de biotecnologia com o novo sistema de plantio permite reduzir significativamente o uso de defensivos e otimizar o manejo agrícola.

Leia Também:  Brasil corre risco de ser punido por EUA por ter relações comerciais com Irã

“Uma cana que já vem resistente ao inseto vai exigir menos aplicação de inseticida. Além disso, o manejo de herbicidas se torna mais inteligente, sendo aplicado apenas quando necessário”, afirmou.

Ela também destacou que o ganho de produtividade contribui indiretamente para a redução no uso de insumos.

“Quando você produz mais na mesma área, evita a necessidade de expandir o plantio. Isso, por si só, já reduz o uso total de insumos no sistema.”

Impactos operacionais e logísticos

Outro fator relevante é a mudança no modelo de plantio. Atualmente, a implantação de um canavial pode demandar até 30 máquinas em operação simultânea. Com as sementes sintéticas, a expectativa é de um sistema mais leve e eficiente.

“Hoje é quase uma operação de guerra. Com essa tecnologia, o plantio tende a ser muito mais simples, com menos máquinas, menos consumo de diesel e menor compactação do solo”, destacou.

Além disso, a produção de mudas deixa de ocupar parte da área produtiva. Hoje, cerca de 5% da área agrícola é destinada a esse fim.
“Só o fato de produzir a semente fora do campo já gera um ganho imediato de produtividade”, disse.

Leia Também:  Embrapa recebe autorização da Anvisa para cultivar Cannabis para pesquisa

Avanços em biotecnologia e controle de pragas

A pesquisadora também detalhou estudos em andamento para o desenvolvimento de cana geneticamente modificada com resistência ao bicudo-da-cana, uma das pragas que atacam a base da planta e ainda não possui controle biológico eficiente.

Segundo ela, já foram identificadas oito proteínas com potencial inseticida, capazes de eliminar a praga em testes laboratoriais.

“A ideia é fazer com que a própria cana produza essa proteína. Quando o inseto se alimentar, ele já encontra esse mecanismo de defesa”, explicou.

A tecnologia ainda está em fase experimental, com estudos de expressão gênica para direcionar a atuação dessas proteínas na região mais vulnerável da planta.

Compartilhe essa Notícia

publicidade